Estreantes com pedigree

POR MZK INVESTIMENTOS | 1 de junho de 2018

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Executivos com experiência de grandes casas aproveitam janela de oportunidade para lançar novas assets voltadas a multimercados, crédito privado e FIPs

A indústria brasileira de gestão de recursos ganhou ao longo dos últimos meses cinco novas assets, sendo três focadas em multimercados (Vinland Capital, MZK Investimentos e Sagmo Capital), uma em crédito privado (Iridium Gestão) e uma em private equity (Principia Capital Partners). Segundo analistas do mercado, esses são os segmentos que, com a queda da taxa de juros e a perspectiva de busca de mais risco pelos investidores, têm maiores possibilidades de crescimento.

André Laport, da Vinland Capital

A Vinland Capital foi criada por André Laport e James Oliveira, que vieram respectivamente do Goldman Sachs e do BTG Pactual. Já a MZK Investimentos foi formada por ex-traders do HSBC que deixaram a instituição pouco após a fusão com o Bradesco, enquanto a Sagmo (South Atlantic Global Macro Opportunities) foi criada por Márcio Ayrosa, que chefiou o departamento de reservas internacionais do Banco Central entre 2006 e 2015. A Iridium Gestão foi formada por ex-executivos da FAR – Fator Administração de Recursos, tendo à frente Antonio Carlos Conceição, enquanto a Principia Capital Partners foi formada por sócios brasileiros que deixaram a Victoria Capital.

“Eu vim do mercado de ações enquanto o James atuava mais em renda fixa, e por uma coincidência estávamos no mesmo momento com a intenção de abrir uma gestora própria, e pela complementaridade das nossa experiências resolvemos montar a Vinland”, afirma Laport. Os dois fundos da Vinland, de viés global, foram lançados no final de março de 2018, e em dois meses já tinham captado aproximadamente R$ 1,6 bilhão. Segundo Laport, que veio do Goldman Sachs, o banco costuma apoiar ex-profissionais que decidem montar suas próprias assets, inclusive com seed money. A Vinland deve receber nos próximos meses um aporte financeiro do banco americano. “O banco dá um apoio importante para seus profissionais que optam por fazer essa transição de carreira”, diz.

No final de maio a gestora teve um reforço importante em seu quadro de sócios com a chegada da Paulo Leme, que foi presidente do Goldman Sachs no Brasil por mais de duas décadas. Leme irá atuar junto ao mercado internacional, uma vez que a casa deve lançar até o fim de julho as mesmas estratégias dos fundos locais para os investidores estrangeiros.

Aquisição – Já a MZK Investimentos surgiu de uma iniciativa de ex-operadores que trabalhavam no HSBC quando esse foi comprado pelo Bradesco. Eles foram transferidos para o banco da Cidade de Deus, mas continuaram alimentando um projeto que haviam apenas delineado na época da compra, quando nem sabiam se seriam ou não aproveitados pelo banco brasileiro. O de ter a própria asset.

Um desses operadores era Marco Mecchi, responsável pela mesa de trading no HSBC e que passou a ocupar a mesma posição no Bradesco, onde ficou por cerca de um ano. “Gostei bastante de trabalhar no Bradesco, tinha uma equipe com 17 profissionais muito capacitada, mas a ideia de montar a gestora continuou, conversei com os traders que vieram do HSBC que estavam comigo no Bradesco, e resolvemos criar a MZK”.

Os profissionais aproveitaram o PDV aberto em julho de 2017 e deixaram o Bradesco para montar a nova gestora. “Dado meu histórico de 23 anos em bancos, entendi que estava na hora de sair e montar um negócio próprio aproveitando a experiência que adquiri no período”. Além dele, os outros ex-traders são Danilo Macari, André Kitahara e Gustavo Menezes. O nome da gestora contempla as inicias dos principais sócios, que conta também com Ronaldo Zanin, ex-Advis.

Mecchi, que ocupa o cargo de CIO na MZK, pontua que a vantagem de os principais gestores da casa virem de mesa de trading é a agilidade para promover rápidas trocas de posições no portfólio, quando necessário diante de mudanças no cenário. “Em um ambiente incerto como 2018, a agilidade de não ficar muito tempo em uma mesma posição, as vezes aproveitando apenas uma parte dos movimentos, pode ser bastante importante e evitar o risco de grandes perdas”.

Márcio Ayrosa, da Sagmo

Oportunidades diversas – A estratégia da Sagmo Capital é aproveitar a experiência de seus principais sócios para explorar oportunidades em moedas, juros, commodities e ações em mercados emergentes como Peru, México e Colômbia. O CEO da Sagmo, Marcio Ayrosa, antes de ser o responsável pelas reservas internacionais foi, entre 2004 e 2006, chefe do departamento da dívida externa do BC, respondendo pelo lançamento de títulos do Tesouro Nacional no mercado internacional e relacionamento com organismos internacionais e outros bancos centrais.

Entre os outros sócios fundadores da Sagmo estão Sérgio Zanini, que por três anos esteve à frente da mesa de trading de mercados internacionais do Itaú BBA, e o economista Gino Olivares, que já ocupou o cargo de economista-chefe na Vinci Partners, Brookfield Gestão e Opportunity Asset. “Meu trabalho na Sagmo vai ser um pouco parecido com o que fazia no BC, quando gerenciava as reservas. A diferença é que no BC a prioridade é a segurança e a preservação de capital, enquanto na asset vamos trabalhar em busca da rentabilidade”, afirma Ayrosa.

Ele destaca que pelo trabalho desenvolvido por anos na autoridade monetária, com foco principalmente nos acontecimentos globais, sua visão do mercado brasileiro se assemelha mais a dos investidores estrangeiros do que a dos investidores brasileiros. A recente desvalorização do real frente ao dólar, que parecia inicialmente uma repetição do ocorrido em 2013 quando o Fed anunciou sua intenção de começar o lento aperto monetário nos Estados Unidos, aos poucos passou a ficar mais parecida com o observado em 2002, quando da eleição do ex-presidente Lula. “Entendo que está faltando alguma coordenação para o BC controlar de maneira um pouco mais apurada a volatilidade no câmbio”, comenta Ayrosa.

Não conseguiram comprar – Já a Iridium Gestão de Recursos é formada por cinco ex-executivos do FAR – Fator Administração de Recursos, que no início de 2017 resolveram deixar o emprego para criar sua própria gestora. À frente do grupo está o ex-diretor de investimentos, Antonio Carlos Conceição, que ao sair do Fator tinha sete anos de casa.

O especialista conta que em um primeiro momento a ideia era comprar alguma gestora já em funcionamento. “O problema era que todas as gestoras à venda no mercado tinham alguns pontos negativo no passado, então acabamos montando tudo do zero mesmo”, lembra Conceição.

Além dele, vieram também Rafael Selegatto e Yannick Bergamo, especialistas em fundos de crédito, Rafael Morais com foco em fundo de fundos e Diego Nader como responsável pela mesa de trading. A gestora tem na prateleira fundos de crédito privado e imobiliário, esse último composto por recebíveis imobiliários. Com R$ 200 milhões em ativos sob gestão atualmente, a asset espera chegar a R$ 500 milhões até dezembro. “Completamos seis meses de vida há pouco tempo e só então pudemos começar a divulgar a rentabilidade dos nossos fundos, o que tem acelerado a captação”, diz Conceição.

Middle market – A Principia Capital Partners é uma gestora de private equity que terá como foco investimentos em empresas brasileiras do ‘middle market’, que deverão receber aportes entre US$ 30 milhões a US$ 100 milhões.

Um dos sócios fundadores da Principia, Mario Spinola, conta que a Victoria tinha como foco investimentos em empresas da América Latina, como Brasil, Chile, Argentina, Colômbia e Peru, enquanto a nova gestora atuará apenas com empresas brasileiras. A Victoria, que antes se chamava DLJ South American, contava com uma participação minoritária do Credit Suisse que hoje não existe mais.

Por questões regulatórias, o sócio da Principia prefere não falar sobre os planos de captação de novos fundos. Ele conta que na Victoria o foco eram institucionais estrangeiros da América do Norte, principalmente. Na antiga casa foram estruturados dois fundos que perfazem cerca de US$ 1,15 bilhão.

Por um acordo firmado com os sócios argentinos que permaneceram na Victoria, os brasileiros assumiram a gestão dos veículos locais da asset da qual saíram há pouco tempo. Entre os ativos que estão sob a gestão da Principia estão o grupo Oncoclínicas, de tratamento de câncer, e a Cellera, da área farmacêutica. “Acreditamos no crescimento da área de saúde no Brasil devido ao envelhecimento da população”, afirma Spinola. “O Brasil não oferece recursos de longo prazo para empresas médias, e temos notado com o fim da recessão várias famílias e empresários buscando capital para voltar a crescer”, acrescenta o especialista.




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